Vestido com minha roupa pastoral
E o colarinho branco bem apertado
Eu estava no escritório da igreja.
Minha cabeça fervia em pensamentos,
Meu celebro estava exausto de tanto
Resolver problemas congregacionais.
Minha cara estava enfiada no meio de um livro
Chamado O Grande Conflito
Da profetisa dos adventistas Ellen White.
Eu não era um pastor adventista,
Mas concordava com sua a escatologia.
Na verdade eu procurava inspiração
Para o meu próximo sermão.
E enquanto meu espírito tentava se aproximar de Deus,
Meu corpo se afastava cada vez mais da mulher amada.
Eu não percebia minha grande insensatez:
No fundo eu acreditava que para me aproximar dEle
Precisava me afastar dela.
Mas isso não
importava,
Pois ela não
me amava mesmo.
E mesmo que
gostasse di mim,
Jamais
abandonaria o catolicismo
Para ser
esposa de um pastor protestante.
Naquele
momento, vi a fechadura se mover e a porta abrir.
Então para
minha alegria alguém em meu escritório.
Era ela, era
Jaqueline o amor da minha vida.
Larguei o
livro surpreso, sai de atrás da mesa,
Fui ao
encontro dela e ela veio ao encontro meu.
Para o resto
do mundo eu era um religioso,
Para ela era
apenas um homem comum
Nos
olhamos nos olhos e paremos um em frente
ao outro.
Ela tinha algo
diferente no olhar, tinha brilho, tinha paixão.
E disse-me
com voz suave: Me abrace.
Eu abracei ela
e ela me abraçou.
O calor dos
nossos corpos aumentou.
Comecei a
acariciar seus longos cabelos
E ela falou:
Eu te amo, meu amor.
Meu sorriso
cresceu no rosto,
Esperei
tanto para ouvir isso.
Então ela me
pediu com a voz
Carregada de
emoção:
Beije-me, com
toda paixão.
Esqueci o
ambiente religioso em que estava
E com tanto
prazer comecei a beija-la.
E naquele
momento tão belo,
Que pro mim
poderia ser eterno,
Tocou o telefone.
Ao ouvi-lo
abri os olhos
E me vi
ainda sentado
Com o livro
no colo.
Olhei para
os lados
E não vi
Jaqueline.
A porta estava fechada
Como sempre
ficava.
Tudo havia
sido
Apenas um sonho lindo.
Joaçaba, 18
de fevereiro de 2009