quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Ser em harmonia



Veste branca,
Comprida e de seda.
Corpo magro,
Mas forte com certeza.

Barbas longas e brancas.
Os cabelos longos também.
Mãos segurando uma na outra
Atrás das costas belas tem.

Caminhando pensativo,
Pensando solitário,
No alto de uma colina,
Às margens de um lago,

Vivendo no mais puro equilíbrio,
Com o Criador e sua criação.
Para o fim dos meus dias
Essa é a minha visão.


Herval d´Oeste, 26 de agosto de 2013.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Justificando a honestidade

Vivendo no meio de corruptos e de tanta corrupção
Ser honesto parece ser de outro mundo,
Viver honestamente parece ser sem noção.
Pensei tantas vezes no que responder
Para a sociedade que insiste em me perguntar:
Por que eu insisto em honesto ainda ser?
Por que honestamente ainda quero viver?

Pensei em responder que quem
Vive honestamente vive melhor
E que quem vive na malandragem
Está sempre numa pior.
Mas cheguei a conclusão
Que não era bem assim;
Eu mentiria pro meu coração.

Então pensei em responder que confio em Deus
E quero conquistar a minha salvação.
Mas parei pra pensar e descobri
Que mesmo se Deus não existisse
Eu insistiria em ter uma existência honesta.

Pensei em responder que somente os honestos
Estavam em paz com a consciência.
Mas sei que os desonestos inventam justificativas
Para se enganar e continuar vivendo desonestamente.
E assim também ficam em paz com a consciência.

Pensei em responder que os desonestos
Sofrerão a condenação divina,
Mas eu falaria da boca pra fora,
Pois no fundo acredito que
Maior que a condenação
É o perdão.

Depois de tanto pensar cheguei à conclusão
De que não há resposta convincente
Para justificar minha honestidade e retidão.
A única explicação, embora não satisfatória,
É que nasci assim, honesto.
Honestidade está na minha natureza,
Honesto é o meu coração.

Que mundo é esse?
Que sociedade é essa?
Ser honesto se tornou estranho?
Ser malandro se tornou normal?


Herval D´Oeste, 22 de agosto de 2013. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Por que?

Por que tenho que estar bem
se milhões estão mal?
Por que tenho que estar feliz
se milhões estão triste?

Por que tenho que estar tranquilo
se minhões estão perturbados?
Por que tenho que rir
se milhões estão chorando?

Por que tenho que estar
com a barriga cheia
se milhões estão
passando fome?

Por que tenho que estar vivendo
se milhões estão morrendo?
Por que tenho que ser prospero
se milhões são miseráveis?

Por que tenho que estar aquecido
se milhões estão passando frio?
Por que tenho que receber tanto carinho
se milhões estão padecendo de solidão?

Por que tenho que estar  agraciado
se milhões estão desgraçados?
Por que tenho que ter tanto
se milhões não tem nada?

Por que tenho
que estar na luz
se milhões estão
na escuridão?

Por que tenho dinheiro
para comprar lenço
se não posso enxugar
as lagrimas do mundo inteiro.

Tenho que fazer algo
para ajudar a humanidade
se não vou enlouquecer
de verdade!

Joaçaba, 20 de julho de 2011.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

6 e 9 de agosto de 1945.

Sentado na velha cadeira de madeira,
de frente para a minha porta aberta,
eu, o velho japonês, leio um bom livro,
entretido, quase hipnotizado.

Sou o velho mais
Feliz do mundo.
Tenho a vida dos sonhos:
Calma, tranquila, pacata...

Nunca em minha juventude
pensei que um dia teria tanta paz
como a que estou sentindo agora.

Por um instante
Levanto os olhos
e vejo pela porta
o lindo campo lá fora.

Minha doce netinha
que veio passar uns dias comigo
vem correndo pra alguma coisa
me mostrar.

Ela entra pela porta,
me dá um beijo na testa
e diz: Vovô, vem ver
o lindo avião voando
no céu lá fora.

Algo sai de dentro do avião
e começa a despencar.
Minha netinha diz brincando:
Ele deu a luz a um aviãozinho.
(Nós rimos bastante.)

Nós não sabemos,
mas aquele é nosso
ultimo momento de alegria.

Aquele avião bonito
veio pra tirar
as nossas vidas.

De dentro dele saiu
A bomba atômica
que vai devastar
Nagasaki e Hiroshima.

Joaçaba, 02 de agosto de 2011

sábado, 3 de agosto de 2013

Desejos de um pastor reprimido

Vestido com minha roupa pastoral
E o colarinho branco bem apertado
Eu estava no escritório da igreja.
Minha cabeça fervia em pensamentos,
Meu celebro estava exausto de tanto
Resolver problemas congregacionais.

Minha cara estava enfiada no meio de um livro
Chamado O Grande Conflito
Da profetisa dos adventistas Ellen White.
Eu não era um pastor adventista,
Mas concordava com sua a escatologia.
Na verdade eu procurava inspiração
Para o meu próximo sermão.

E enquanto meu espírito tentava se aproximar de Deus,
Meu corpo se afastava cada vez mais da mulher amada.
Eu não percebia minha grande insensatez:
No fundo eu acreditava que para me aproximar dEle
Precisava me afastar dela.

Mas isso não importava,
Pois ela não me amava mesmo.
E mesmo que gostasse di mim,
Jamais abandonaria o catolicismo
Para ser esposa de um pastor protestante.

Naquele momento, vi a fechadura se mover e a porta abrir.
Então para minha alegria alguém em meu escritório.
Era ela, era Jaqueline o amor da minha vida.
Larguei o livro surpreso, sai de atrás da mesa,
Fui ao encontro dela e ela veio ao encontro meu.

Para o resto do mundo eu era um religioso,
Para ela era apenas um homem comum
Nos olhamos  nos olhos e paremos um em frente ao outro.
Ela tinha algo diferente no olhar, tinha brilho, tinha paixão.

E disse-me com voz suave: Me abrace.
Eu abracei ela e ela me abraçou.
O calor dos nossos corpos aumentou.
Comecei a acariciar seus longos cabelos
E ela falou: Eu te amo, meu amor.

Meu sorriso cresceu no rosto,
Esperei tanto para ouvir isso.
Então ela me pediu com a voz
Carregada de emoção:
Beije-me, com toda paixão.

Esqueci o ambiente religioso em que estava
E com tanto prazer comecei a beija-la.
E naquele momento tão belo,
Que pro mim poderia ser eterno,
Tocou o telefone.

Ao ouvi-lo abri os olhos
E me vi ainda sentado
Com o livro no colo.
Olhei para os lados
E não vi Jaqueline.
 A porta estava fechada
Como sempre ficava.
Tudo havia sido
 Apenas um sonho lindo.


Joaçaba, 18 de fevereiro de 2009