domingo, 22 de dezembro de 2013

Cristina


Cristina, agora bateu
bem forte no fundo do peito
uma saudade dolorosa,
e bem gostosa de você.

Mas eu sei que como
a vida é bela
qualquer hora
a gente volta a se ver.

12 de agosto de 2008

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Declaração de amor



Tenho tanta certeza de que sou um minúsculo
Grão de poeira, diante da grandeza do universo,
Mas sinto o universo inteiro caber dentro
De mim. quando estou junto de ti.

Tenho certeza de minha mortalidade,
Mas me sinto imortal quando
Meus olhos viajam no verde
Dos seus olhos.

Tenho certeza que toda beleza
Que há no mundo não cabe
Dentro da retina do meu olho,
Mas vejo toda ela quando olho
Para o seu formoso corpo.

Todas as palavras desse mundo
Não são nada para descrever
A emoção que sinto quando
Vejo você.

Todas as palavras não são nada
Para descrever isso que sinto
Quando vejo seu sorriso.

Quando te abraço sinto que consigo
Ter em meus braços a humanidade,
E quando te beijo sinto em meus
Lábios o desejo do mundo inteiro.

Quando estou perto de você
Fico sem saber o que dizer,
Mas quando estou longe fico
Consumido de desejo de dizer:

Desejo ficar perto de você,
Desejo viver ao teu lado,
Desejo envelhecer ao teu lado.
E por que não dizer que morro
De desejo e amores por você?

Mas não quero forçar-te
A nada que você não queira,
Não quero em momento algum
Deixar-te constrangida.
Só quero que não deixe
De ser minha amiga.

Você não é apenas mais uma
Botina garota na multidão;
Você é a mais linda da multidão.

Sabe por quê? Vou te dizer:
Sua beleza interior supera a exterior.
Mas isso são poucos os homens que,
Assim como eu, conseguem perceber.

Minha bela, bela dos meus sonhos,
Eu amo e gosto tanto de você,
Que já não dá mais para esconder.

Joaçaba (SC) 11/07/2010 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Anjo Lunar

Inspirado no fenômeno de ontem e na música do Era: Angel.

Do lado de fora do meu quarto, da minha casa,
Acima da montanha, no céu meio nublado,
Está a lua tão bela, tão majestosa,
Celeste e gloriosa.

Sendo finíssima
Ela parece dois lábios
Fechados sorrindo
O mais lindo sorriso,
O sorriso da linda garota
Que não vejo desde 2005.

Para aumentar ainda mais
A beleza desse encanto
Um fenômeno raríssimo:
Na pontinha de um dos lados
Dos lábios fechados desse sorriso
Há uma pequena estrela.
Parece a pintinha do rosto
De uma moça que gosta
De ser flertada.

Mas na verdade
A estrela é o planeta Vênus
Passando próximo à lua...
Pelo menos do ponto de vista
Ilusório dos nossos olhos.

Do lado de dentro do quarto,
Estou eu deitado na cama
Com os olhos fechados
E o corpo acabado
Pelo cansaço.

A janela aberta deixa o vento entrar
E soprar as cortinas.
Em seguida sinto um sopro leve
Em meus lábios
E outros lábios a beija-los.
Abro meus olhos pesados
E vejo um lindo anjo...
Melhor dizer, uma anja branca,
De vestido longo, sedoso e branco,
A beijar-me com leveza e suavidade.

Meio hipnotizado não consigo me mover,
A voz também não sai; nada posso dizer.
A mim só é dado o direito de sentir o prazer
Desse beijo que alegra minha alma.

Seus lábios se desgrudam dos meus.
Ela sopra novamente em meus lábios,
Dá as costas para mim, segue até a janela
E sai voando em direção à lua.

Acordo da hipnose, levanto e corro até a janela,
Olho para a lua e me pergunto:
“Cadê a estrela que estava ao lado da lua?”
Vejo meu anjo subindo e sou um suspiro:
“A estrela está voltando para o lugar dela.”

Herval d´Oeste, 09 de setembro de 2013.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Ser em harmonia



Veste branca,
Comprida e de seda.
Corpo magro,
Mas forte com certeza.

Barbas longas e brancas.
Os cabelos longos também.
Mãos segurando uma na outra
Atrás das costas belas tem.

Caminhando pensativo,
Pensando solitário,
No alto de uma colina,
Às margens de um lago,

Vivendo no mais puro equilíbrio,
Com o Criador e sua criação.
Para o fim dos meus dias
Essa é a minha visão.


Herval d´Oeste, 26 de agosto de 2013.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Justificando a honestidade

Vivendo no meio de corruptos e de tanta corrupção
Ser honesto parece ser de outro mundo,
Viver honestamente parece ser sem noção.
Pensei tantas vezes no que responder
Para a sociedade que insiste em me perguntar:
Por que eu insisto em honesto ainda ser?
Por que honestamente ainda quero viver?

Pensei em responder que quem
Vive honestamente vive melhor
E que quem vive na malandragem
Está sempre numa pior.
Mas cheguei a conclusão
Que não era bem assim;
Eu mentiria pro meu coração.

Então pensei em responder que confio em Deus
E quero conquistar a minha salvação.
Mas parei pra pensar e descobri
Que mesmo se Deus não existisse
Eu insistiria em ter uma existência honesta.

Pensei em responder que somente os honestos
Estavam em paz com a consciência.
Mas sei que os desonestos inventam justificativas
Para se enganar e continuar vivendo desonestamente.
E assim também ficam em paz com a consciência.

Pensei em responder que os desonestos
Sofrerão a condenação divina,
Mas eu falaria da boca pra fora,
Pois no fundo acredito que
Maior que a condenação
É o perdão.

Depois de tanto pensar cheguei à conclusão
De que não há resposta convincente
Para justificar minha honestidade e retidão.
A única explicação, embora não satisfatória,
É que nasci assim, honesto.
Honestidade está na minha natureza,
Honesto é o meu coração.

Que mundo é esse?
Que sociedade é essa?
Ser honesto se tornou estranho?
Ser malandro se tornou normal?


Herval D´Oeste, 22 de agosto de 2013. 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Por que?

Por que tenho que estar bem
se milhões estão mal?
Por que tenho que estar feliz
se milhões estão triste?

Por que tenho que estar tranquilo
se minhões estão perturbados?
Por que tenho que rir
se milhões estão chorando?

Por que tenho que estar
com a barriga cheia
se milhões estão
passando fome?

Por que tenho que estar vivendo
se milhões estão morrendo?
Por que tenho que ser prospero
se milhões são miseráveis?

Por que tenho que estar aquecido
se milhões estão passando frio?
Por que tenho que receber tanto carinho
se milhões estão padecendo de solidão?

Por que tenho que estar  agraciado
se milhões estão desgraçados?
Por que tenho que ter tanto
se milhões não tem nada?

Por que tenho
que estar na luz
se milhões estão
na escuridão?

Por que tenho dinheiro
para comprar lenço
se não posso enxugar
as lagrimas do mundo inteiro.

Tenho que fazer algo
para ajudar a humanidade
se não vou enlouquecer
de verdade!

Joaçaba, 20 de julho de 2011.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

6 e 9 de agosto de 1945.

Sentado na velha cadeira de madeira,
de frente para a minha porta aberta,
eu, o velho japonês, leio um bom livro,
entretido, quase hipnotizado.

Sou o velho mais
Feliz do mundo.
Tenho a vida dos sonhos:
Calma, tranquila, pacata...

Nunca em minha juventude
pensei que um dia teria tanta paz
como a que estou sentindo agora.

Por um instante
Levanto os olhos
e vejo pela porta
o lindo campo lá fora.

Minha doce netinha
que veio passar uns dias comigo
vem correndo pra alguma coisa
me mostrar.

Ela entra pela porta,
me dá um beijo na testa
e diz: Vovô, vem ver
o lindo avião voando
no céu lá fora.

Algo sai de dentro do avião
e começa a despencar.
Minha netinha diz brincando:
Ele deu a luz a um aviãozinho.
(Nós rimos bastante.)

Nós não sabemos,
mas aquele é nosso
ultimo momento de alegria.

Aquele avião bonito
veio pra tirar
as nossas vidas.

De dentro dele saiu
A bomba atômica
que vai devastar
Nagasaki e Hiroshima.

Joaçaba, 02 de agosto de 2011

sábado, 3 de agosto de 2013

Desejos de um pastor reprimido

Vestido com minha roupa pastoral
E o colarinho branco bem apertado
Eu estava no escritório da igreja.
Minha cabeça fervia em pensamentos,
Meu celebro estava exausto de tanto
Resolver problemas congregacionais.

Minha cara estava enfiada no meio de um livro
Chamado O Grande Conflito
Da profetisa dos adventistas Ellen White.
Eu não era um pastor adventista,
Mas concordava com sua a escatologia.
Na verdade eu procurava inspiração
Para o meu próximo sermão.

E enquanto meu espírito tentava se aproximar de Deus,
Meu corpo se afastava cada vez mais da mulher amada.
Eu não percebia minha grande insensatez:
No fundo eu acreditava que para me aproximar dEle
Precisava me afastar dela.

Mas isso não importava,
Pois ela não me amava mesmo.
E mesmo que gostasse di mim,
Jamais abandonaria o catolicismo
Para ser esposa de um pastor protestante.

Naquele momento, vi a fechadura se mover e a porta abrir.
Então para minha alegria alguém em meu escritório.
Era ela, era Jaqueline o amor da minha vida.
Larguei o livro surpreso, sai de atrás da mesa,
Fui ao encontro dela e ela veio ao encontro meu.

Para o resto do mundo eu era um religioso,
Para ela era apenas um homem comum
Nos olhamos  nos olhos e paremos um em frente ao outro.
Ela tinha algo diferente no olhar, tinha brilho, tinha paixão.

E disse-me com voz suave: Me abrace.
Eu abracei ela e ela me abraçou.
O calor dos nossos corpos aumentou.
Comecei a acariciar seus longos cabelos
E ela falou: Eu te amo, meu amor.

Meu sorriso cresceu no rosto,
Esperei tanto para ouvir isso.
Então ela me pediu com a voz
Carregada de emoção:
Beije-me, com toda paixão.

Esqueci o ambiente religioso em que estava
E com tanto prazer comecei a beija-la.
E naquele momento tão belo,
Que pro mim poderia ser eterno,
Tocou o telefone.

Ao ouvi-lo abri os olhos
E me vi ainda sentado
Com o livro no colo.
Olhei para os lados
E não vi Jaqueline.
 A porta estava fechada
Como sempre ficava.
Tudo havia sido
 Apenas um sonho lindo.


Joaçaba, 18 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Gritos

Um nojento, horrível, repulsivo,
Monstruoso e asqueroso caminhão
Passa bem perto daqui,
Passa bem perto de mim.

Nele há desafortunados porcos
Que vão perder suas vidas
Para saciar a gula demoníaca
De seres que agem como
Se não tivessem compaixão,
Pois amorteceram
Seus sentimentos
Para com os indefesos.

E eu ouço os terríveis gritos deles
E parece que todos os seres humanos
De perto de mim ensurdeceram.
Pois a impressão que dá
É que apenas eu estou ouvindo.


Gritos horripilantes,
Que arrepiam o coração sensível...
Gritos que denunciam o pavor
Que esses miseráveis estão sentindo
Sem saber onde estão indo.

Herval d´Oeste, 30 de julho de 2013.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Você vestida de noiva

Você tão linda
Como noiva vestida
Para sua alegria
No momento mais
Marcante de sua vida.

Seus cabelos loiros amarrados
Ou em um lindo penteado
Realçando a beleza
De seu rosto angelical.

Suas mãos macias
Segurando um buque
Tão chamativo.

Seu corpo coberto
Por esse lindo e
Branco vestido.

Pousando para uma foto
Para o álbum de recordação
desse dia inesquecível.

Eu não estava lá, mas com os olhos do coração
Pude enxergar como você estava bela
Para todos aqueles que você lembrou e pode convidar.

Herval d´Oeste, 12 de dezembro de 2012

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Amiga On-line

Quando entro on-line
quero logo te encontrar.
Dou um sorriso virtual
e começamos a conversar.

Enquanto converso com você
não vejo o tempo passar.
Sua descontração tão grande
fás a minha alma se alegrar.

A beleza dos seus olhos
encantam meu coração.
nunca te vi pessoalmente na vida,
mas você me trás tanta emoção.

Você existe mesmo?
Não é apenas imaginação?
Você parece um sonho...
Acordar não quero, não.

Herval d´Oeste, 21 de julho de 2013.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Deus Normal

Deus normal

Se Deus descesse do céu
E aparecesse pra mim
Com um casaco preto
E uma roupa social bonitinha,
Mas bem simplesinha.
De barba bem feita,
Barrigudinho e baixinho.
Sem nenhuma glória,
Sem nenhuma grandeza,
Sem me dizer que era Deus,
Como um homenzinho normal.

Se ele de noite me desse
Uma carona no seu golzinho
Ano noventa e cinco.
E me leva-se para uma lanchonete,
Senta-se comigo no balcão
E pedisse um lanche vegetariano
Para ele e outro para mim,
E me disse-se descontraído:
“Não se preocupe com dinheiro.
Eu pago a conta!”

Se ele conversasse sorrindo e rindo.
Se ele falasse com a boca cheia,
A o mesmo tempo que estivesse mastigando.
Se me contasse algumas piadas,
As mais engraçadas que existem,
Que fizesse eu me afogar de tanto rir.

Se depois da janta ele levasse-me
Para minha casa em seu carro.
Se durante o caminho, enquanto dirigia,
Ele me dissesse: “Sabe filho...”
E me enchesse de conselhos...
Os melhores que já recebi
Em toda a minha vida.

Se enquanto ele falasse
Eu não precisasse me fingir de homem
E me sentisse a vontade para ser
Apenas o menino que ainda sou.

Se após chegarmos na frente da minha casa
Ele estacionasse e desligasse o carro,
Colocasse a mão no meu ombro,
Olhasse no fundo dos meus olhos
E disse-se algo tão belo, lindo,
Que eu nunca imaginei ouvir na vida.


Se eu desembarcasse e antes de fechar a porta
Lembrasse-se de perguntar qual era o seu nome,
Onde morava e quem ele realmente era.
Se eu disse-se: “Senhor, gostei muito de você.
Fiquei muito feliz em lhe conhecer,
Mas eu ainda não sei que o senhor é...”
Se ele me entrega-se um bilhete
E sorrindo dissesse: “Abra,
Mas espere eu sair”

Se ele fosse e antes de cruzar
A esquina buzinasse pra mim.
Se eu abri-se o bilhete e lesse:
 “Sou seu criador, meu filho.
E para sempre estarei com você.”
Eu acreditaria que ele era Deus?
Deus poderia ser tão normal assim?
Não sei. Mas eu ficarei tão feliz
Se realmente fosse assim...

Daluan Machado, Herval d´ Oeste, 19 de julho de 2013.