sexta-feira, 28 de março de 2014

Roberta Criança

Uma menininha meiga, doce e pura.
com cabelinhos compridos,
com rostinho clarinho,
e com um sorriso beatificante.
Usando sempre seu uniforme escolar
e carregando sempre sua pesada mochila.

Embora sendo da classe média
e estudando em colégio onde
filho de pobre não pode entrar
ela é tão humilde, tão simpática...
capas de amar um simples
cobrador de ônibus
sem saber de seus títulos
e outras coisa que desperta
a admiração dos de mais.

E o mais encantador de tudo para mim:
Cem por cento criança! Completamente livre
da contaminação da malicia e da arrogância
da qual sofrem multidões de adultos!

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Todos os dias no ônibus ela entrava,
sentava perto de mim e a conversa começava.
Seus assuntos tão infantis...
De uma criança de onze anos.
Os adultos não teriam paciência
de ouvi-los por muito tempo.
Mas eu escutava com tanto prazer
e ela ficava tão feliz por minha atenção!

Talvez nossa conversa
(que era um monologo dela)
durasse apenas dez minutos,
pois logo ela descia
e corria para os braços
da sua melhor amiga:
sua mãe.

Mas para mim aquele tempo
durava menos ainda.
Dez minutos era como um.
Por que o tempo parece
passar tão de pressa
quando estamos felizes
e perto de quem amamos?!

E essa rotina de gotas de felicidade,
assim como a vida de um bela borboleta,
Foi tão curta! Tão pequena.
No começo de fevereiro eu a conheci
e no final de fevereiro dela me despedi.

Eu tinha que ir embora.
No próximo dia que ela entrasse
não iria mais me encontrar.

Durante a despedida,
antes dela descer,
nos abraçamos,
eu beijei seu rostinho
e ela disse com carinho:
"Eu gostei muito de te conhecer".

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Amanham ainda vai fazer um mês
Desde a ultima vez que vi Roberta.
Mas parece que já fez um ano.
Não vou dizer que estou triste,
pois estou vivendo uma fase boa.
Mas por que o tempo parece
passar tão lentamente quando
estamos longe de quem amamos?

Joaçaba, 27 de março de 2014.

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